quarta-feira, 20 de julho de 2011

Punk: as origens

Parte III - Brasil




O movimento punk veio para o Brasil em meados dos anos 80, onde o contexto histórico que o país se encontrava influenciava, e muito, o surgimento desse movimento.
O Brasil vivenciava o "Fim do ato inconstitucional número cinco" e a "Sanção da anistia" no final da década passada. Acabara também, de sair das históricas greves do ABC, momento no qual os trabalhadores pararam a indústria automobilística de São Paulo em plena ditadura militar. Nesse momento, digamos assim, o cenário nacional foi propício para a explosão do Punk Rock no país.

Os jovens inconformados com a situação social que viviam, caracterizada pela brutal repressão e já cansados das mesmisses nas rádios se identificaram  com o movimento  que não apenas trazia consigo uma imagem pesada, mas também uma música que estruturalmente podia ser tocada por qualquer um já que possuísse apenas 3 acordes e um ideal contra o sistema: recusa incondicional a qualquer forma de poder e autoridade sobre o outro; o fim do Estado com seu corpo autoritário e parasita (exército, polícia, parlamento, judiciário, executivo).

Logo surgem nas periferias de São Paulo no ano de 78 bandas precursoras, como o  AI-5, Condutores de Cadáver e Restos de nada.
Em 82 com o ressurgimento do movimento no mundo inteiro foi lançado o selo independente Punk Rock o primeiro disco do movimento punk no Brasil chamado "Grito Suburbano" com as bandas Olhos Seco, Cólera e Inocentes. E anos depois surgem novas bandas também no ABC Paulista, Brasília, entre outras capitais incluindo São Paulo, como Ratos de Porão, Fogo Cruzado, Cólera, Olho Seco, Lixomania, Garotos Podres, DZK e, muitas delas, ainda existem e continuam a tocar sua critica social em forma de densos acordes.

O movimento utilizou de meios midiáticos independentes, como foi o caso dos fanzines e do documentário "Garotos do Subúrbio" considerado um dos melhores trabalhos feitos sobre adolescentes no Brasil. E até mesmo chegou a ser citado nas grandes mídias, algumas com ideias equivocadas e outras que divulgaram esse grande movimento cultural, como no programa de rádio Kid Vinil - Rock Sanduíche, o Jornal Folha de São Paulo, Revista Veja, Revista Isto É, TV Cultura e TV Globo, que ajudaram na divulgação  entre as mais diversas camadas sociais.

Assim, o movimento punk foi fixando suas raízes na cena musical brasileira e conseguiu conscientizar uma serie de jovens para começarem a ver o mundo em que vivem com outros olhos e outros ouvidos.  
Um fato que marcou o movimento Punk no Brasil foi o Festival "O Começo do Fim do Mundo" que reuniu 20 bandas do ABC Paulista e São Paulo em um evento para tentar pacificar as intrigas existentes entre essas regiões.

Para contar toda essa história foi realizada anos depois com parceria da prefeitura de Santo André a primeira "Ópera Punk" que se teve notícia no planeta.
E não acaba por aí! O movimento Punk não morreu e deixou o seu legado independente do "Faça você mesmo" para as próximas gerações do Rock.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Jorge Anzol no Som da Fábrica

A produção do programa sobre Punk Rock chega ao final e o útlimo entrevistado foi Jorge Anzol baterista da banda acreana Los Porongas (http://www.myspace.com/losporongas), diretamente influenciado pelo movimento punk e pela banda do ABC Paulista "Garotos Podres" Anzol nos contou como isso aconteceu, relatou seu contato com a cultura Punk e nos mostrou que o Acre realmente existe!

Foto: Jorge Anzol durante a entrevista.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Daniel Miranda no Som da Fábrica

E a máquina lança mais uma entrevista inédita que ocorreu na última terça-feira (12/07) com Daniel Miranda, ex baterista dos Subviventes e baterista da banda 88 NÃO! (http://www.myspace.com/88nao) que já participou de importantes festivais independentes e é fundadora da COBAIN ABC (cooperativa de bandas independentes) onde realizam projetos comunitários na região do ABC Paulista. Daniel acompanha ativamente o Movimento Punk.

Foto: Daniel depois da entrevista.

Daniel relatou sua vivência no Movimento, como se encontra a cena atual e a influência da ideologia punk do "Faça você mesmo" na música atual.
Essa e outras entrevistas vocês ouvirão no primeiro programa do "Som da Fábrica", enquanto isso continuem acompanhando o processo de pesquisas e entrevistas!





Botinada: A Origem do Punk no Brasil


Botinada: A Origem do Punk no Brasil é um documentário que narra a história do início do movimento punk no Brasil, (1976 - 1984), e o paradeiro de seus protagonistas. O documentário foi produzido por Gastão Moreira e lançado pela ST2 em 2006. Foram quatro anos de pesquisa, 77 pessoas entrevistadas, milhares de horas nas ilhas de edição, 200 horas de vídeo e muitas imagens raras e inéditas compiladas pela primeira vez. O documentário teve como base os documentários Punks, Garoto do Subúrbio e Rota ABC, e conta com imagens raras, como a banda Cólera tocando ao vivo em 1980 na TV Tupi que nunca foi ao ar e o Inocentes tocando no Gallery em 1982, além de entrevistas com punks de todo Brasil, jornalistas, cineastas, bandas e simpatizantes do movimento punk. Disponível em 8 episódios no youtube, Confira:




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terça-feira, 12 de julho de 2011

Mao dos Garotos Podres no Som da Fábrica

A máquina está se modernizando e produzindo com muita agilidade! E infelizmente o blog não conseguiu acompanhar, então atualizarei vocês, queridos leitores, de todos os processos de nossa máquina.
No domingo passado (03/07) entrevistamos o Mao historiador e vocalista da banda Garotos Podres (http://www.myspace.com/garotospodresoficial), banda de grande importância para a cena punk do ABC, reconhecida nacionalmente e internacionalmente. Mao acompanhou toda a trajetória da banda e é um grande estudioso com muito a compartilhar!

Foto: Mao durante a entrevista.

Ele nos contextualizou muito bem historicamente os anos 80 e o Movimento Punk, relatando sua vivência na cena e os movimentos operários do ABC.


Foto: Carolina Timoteo, Mao e Olívia Ricci.

Essa entrevista e outras vocês vão conferir no primeiro programa do "O Som da Fábrica". Aguardem e continuem acompanhando o nosso processo de pesquisas e entrevistas!.

Fanzine: o porta-voz do punk

A palavra 'fanzine' é a junção entre as palavras inglesas "fan" (fã) e "magazine" (revista). É portanto a revista feita pelo fã e escrita para o fã, gerando troca de informações que movimentam uma cena underground recheada de novas bandas, ilustradores, jornalistas e escritores em busca de espaço e público.

O fanzine nasceu nos EUA nos anos 30 em período de depressão americana, com a ascenção do desemprego e lei seca o tempo ocioso foi dedicado a escrever fanzines, uma boa maneira de manter o estômago e a cabeça ocupados. E foi assim que surge o primeiro fanzine (fanmag) "The Comet" (o cometa) publicado pelo americano Ray Palmer que falava sobre cinema e literatura de ficção científica. Mas há controvérsias, pois a ascenção do fanzine se deu junto ao Movimento Punk na Inglaterra, com o zine "Sniffing´Glue" (cheirando cola) publicado pelo inglês Mark Perry, que escrevia sobre o Punk e as bandas punks do momento, se tornando assim o porta-voz do movimento.


Na edição número 5 do fanzine "Sniffing Glue" Mark Perry aconselha-va aos leitores: "Todos vocês, garotos que lêem o SG, não se satisfaçam com o que nós escrevemos. Saiam e comecem seus próprios fanzines, ou mandem suas críticas para a imprensa do Sistema, vamos pegá-los pelos nervos e inundar o mercado com a escrita punk!"
Surgiram então vários outros fanzines que ajudaram a divulgar o Movimento Punk dentro do seu ideal do "Faça você mesmo".




Fontes bibliográficas:
LIMA, Leo. "Fanzine - Rotulando o Inrotulável". Mood. 12/07/2011. <http://www.mood.com.br/3a01/zine.asp>.
BIVAR, Antonio. "O que é Punk". Coleção Primeiros Passos, 76. São Paulo: Editora brasiliense, 1992.