Parte II - EUA
O punk rock surgiu nos States em meados da década de 1970, mas é possível identificar algumas bandas precursoras do movimento, seja por um som parecido ou mesmo pela atitude assumida. Exemplos dessas bandas são os Stooges, cujas performances agressivas do vocalista Iggy Pop incluíam até cortes no próprio corpo com pedaços de vidro ao som de músicas relativamente simples (com poucos acordes, possível de ser facilmente tocada por alguém que não possua formação musical); o MC5 (Motor City Five), precursora do garage rock e uma das primeiras a fazer a junção entre a agressividade do rock com ideias políticas. Já nos anos de 1970 é possível identificar bandas que faziam praticamente punk rock, como o New York Dolls e os Dictators, a primeira tinha uma atitude completamente diferente dos padrões, principalmente pelo uso de roupas femininas, e por um rock bem próximo do punk, simples, cru e rápido; a segunda tinha o som próximo do punk rock.
Com esse grupo de bandas começava a surgir o punk rock, mas este só se consolidou alguns anos depois, com a chegada dos Ramones. Estes tiveram uma ajudinha fundamental de outra importante banda, o Television. O Television, formado no final de 1973, foi a primeira banda a tocar no CBGB, clube que se tornaria o reduto do rock underground. O CBGB, que significa “Country Bluegrass Blues”, localizado na 315 da Bowery, na Bleecker Street, em Manhattan, Nova York, foi fundado em 1973 e não tinha o propósito de ser um clube de rock, como acabou sendo.


Tudo começou quando os integrantes da então desconhecida banda de rock Television foram pedir ao dono Hilly Kristal para tocarem no clube. Como o clube não tinha nenhum evento aos domingos, Hilly permitiu que a banda tocasse nesse dia. Depois a banda pediu uma nova temporada de apresentações, agora ao lado de outra banda, os Ramones. Daí em diante, o clube começou a apresentar diversas banda, o que na época era muito incomum, a maioria dos clubes só permitiam apresentar-se bandas que tivessem contratos com gravadoras.
Em 1976 os Ramones lançaram seu primeiro disco intitulado com o nome da banda, com 14 músicas e 29 minutos. O ritmo das músicas era alucinante para a época, e as músicas e as letras eram relativamente simples. O álbum, o primeiro de punk rock da história, não foi um grande sucesso, mas serviu para divulgar a banda para os jovens que continuariam fazendo punk rock. A turnê do álbum só teve boa recepção em Nova Iorque e em Londres. Em 1977 lançam os discos Leave Home e Rocket to Russia, fizeram turnês pelos Estados Unidos e pela Europa, tocaram o o ídolo Iggy Pop. Ainda contaram com um álbum ao vivo, It's Alive, gravado no fim do ano na Inglaterra. Esse foi o último registro do baterista Tommy, que detestava as longas turnês da banda. Apesar da boa qualidade dos discos que a banda tinha lançado, eles não tinham grande sucesso e precisavam fazer shows para se manter. O novo baterista seria o ex-baterista da banda Voidoids, Marc Bell, que se tornaria Marky Ramone.

Com a nova formação, a banda lança o disco Road to Ruin. Mas os problemas não se resolveram, e em uma outra alternativa para alcançar o sucesso comercial contratam o produtor Phil Spector. O único membro da banda que se dava bem com o novo produtor era Joey (vocalista). Lançado em 1980, o disco teve uma melhor resposta comercial, mas desagradou os antigos fãs, causando um impasse entre manter o estilo inicial da banda ou fazer um som mais pop. A relação entre os membros da banda ficou mais tensa depois disso, mas o som continuou, e em 1981 lançaram o disco Pleasant Dreams, o primeiro disco em que não apareciam na capa. O disco também não foi sucesso de vendas, o que deixou os Ramones infelizes. O próximo disco teria que emplacar. Mas a banda enfrentava problemas com o baterista Marky, cujo problema com álcool ficara insustentável, a ponto de faltar em shows. Marky saiu da banda para internar-se numa clínica após a gravação do Subterranean Jungle, e em seu lugar assumiu Richard Reinhardt, o Richie Ramone.
O próximo disco, já com a nova formação, chama-se TooTough to Die (“Muito Duro para Morrer), e foi uma espécie de homenagem para Johnny Ramone. O caso foi que o guitarrista metera-se numa briga e acordou no hospital, após uma cirurgia no cérebro, pois seu crânio rachara-se. Depois do baque, a banda ficou mais unida, menos preocupada em implacar um sucesso. Daí saiu o novo disco, com uma pegada diferente. Nesse disco tem a primeira música (e única) apenas instrumental, o Durango 95, feita em homenagem ao carro que Malcolm McDowell dirigia no longa Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Também conta com uma “saudação” ao hard core, com as músicas Wart Hog e Endless Vacation. O álbum seguinte, Animal Boy, lançado em 1986, contou com uma polêmica. Joey e Dee Dee juntam-se com Jean Beauvoir (ex-baterista dos Plasmatics) e compõem uma música de protesto (Bonzo Goes to Bitburg) contra a visita do presidente da época, Ronald Reagan, ao cemitério de guerra onde encontravam-se enterrados vários altos cargos da SS Nazista, em Bitburg, Alemanha. Porém Johnny Ramone não gostou do nome da música (pois era fã da política de Ronald Reagan). A música foi renomeada, ficando como título “My Brain Is Hanging Upside Down”. O disco ainda contava com a faixa Love Kills, uma homenagem a Sid Vicious. Halfway to Sanity, o próximo disco, foi auto-produzido, e saiu do jeito que a banda queria. Também foi o último álbum com o baterista Richie.
Para novo baterista foi chamado Clem Burke (baterista do Blondie e Chequered Past), que adotou o nome artístico Elvis Ramone. Depois de shows Elvis saiu da banda, pois seu estilo era muito diferente, e ele não se adaptou ao novo ritmo. Em seu lugar voltou o baterista Mark Ramone, sem problemas com álcool dessa vez, e fazendo a banda soar como no início. Com a nova formação, lançaram Brain Drain em 1989, que teve grande repercussão. Não era ouvido no rádio ou na MTV, mas mesmo assim influenciou várias bandas da época. Finalmente os Ramones pareciam ter o reconhecimento que mereciam e buscavam. Porém essa boa notícia veio seguida de outra ruim, a saída do baixista de Dee Dee. Com Dee Dee era 8 ou 80, e como ele não sentia que estava de cabeça no Ramones decidiu sair. Em seu lugar vinha o jovem de apenas 24 ano Christopher Joseph Ward, o C. Jay Ramone. O novo integrante trouxe também novos ares pra banda, era talentoso e tinha estilo próprio.
A década de 90 começou bem para os Ramones. Joey conseguira largar as drogas, e tornara-se muito ativo, participando e apoiando várias causas, como AIDS, ecologia, entre muitas outras. Também receberam homenagens de outras bandas, como Motörhead, Bad Religion, L7 e Keith Morris. Em 1991 embarcaram em turnê internacional de grande sucesso. Em 1992 lançaram o novo álbum, Mondo Bizarro, que foi muito aguardado pelos fãs, pois seria o primeiro depois de três anos, desde a saída de Dee Dee. O novo disco foi um grande sucesso comercial, e rendeu muitos shows e dinheiro. A coisa começou a piorar novamente quando o vocalista Joey descobriu que tinha câncer. Com a doença, o vocalista fez muito menos shows, pois estava muito debilitado. Até que a banda decidiu que seria o fim dos Ramones, mas ainda iriam fazer um álbum de despedida.
Assim foi lançado ¡Adios Amigos! em1995, o último disco da banda. Fizeram uma última turnê de despedida, o que durou um ano, antes de finalizar os trabalhos da banda. Durante a turnê, em Nova Iorque, foi gravado um disco ao vivo, Greatest Hits Live. O último show dos Ramones foi em 6 de Agosto de 1996, no Palace em Hollywood.