domingo, 9 de outubro de 2011

Três Acordes de Cólera (Documentário)



Por: Paula Harumi & Thais Heinisch Ano: 2005 - TV PUC - Programa Comunicantes - Canal Universitário de São Paulo

Cólera - Mais de 30 anos de Legado

( Na foto: Cólera, em 1985)

A Banda surgiu em 1979, formada pelos irmãos Edson “Redson” Lopes Pozzi ( Baixo e vocais) e Carlos “Pierre” Lopes Pozzi ( bateria) com a companhia de Kinno (vocais), e Hélinho (guitarra). Por volta de 1981, Hélio e Kino saem da banda, e entra Valdemir "Val" Pinheiro, que assumiu o Baixo.
Inicialmente influenciada pelo existencialismo rústico da Vila Carolina, as letras traziam um pouco das ideias do "Condutores de Cadáver", banda na qual Hélinho participou.
O Cólera estava por se tornar o que seria uma das bandas de maior legado no cenário Punk Brasileiro.

Em 1982 a banda participou da gravação do primeiro álbum de punk rock nacional "Grito Suburbano" junto as bandas Inocentes e Olho Seco. Participou também, do histórico Festival "O começo do fim do mundo" no SESC Pompéia, em São Paulo, ao lado de outas 19 bandas.

Em 1984 foi lançado o álbum "Tente Mudar o Amanhã" com as bandas Grinders, Varsóvia, Kães Vadius. O segundo álbum do Cólera, "Pela Paz em Todo Mundo" é consagrado como um dos melhores do gênero no Brasil até o momento. Foram mais de 30 mil cópias vendidas no Brasil, EUA e Europa, o álbum rendeu 2 turnês pelo Brasil e uma turnê européia.

A banda foi a primeira de punk rock brasileira a fazer shows no exterior e sua turnê foi um sucesso. Desta forma ela abriu caminho para outras bandas também irem mostrar seu trabalho lá fora. Sob influência de temas discutidos fora do Brasil, a banda lança em 1989, pela Devil Discos, o álbum “Verde, Não Devaste!”, o primeiro sobre ecologia, assunto pouco debatido no Brasil.


Da "agitação, revolução destruição eu quero ver" de Hélinho ao "Pela Paz em todo o Mundo", com ideias pacifistas, antimilitaristas e ecológicos, “Verde, Não Devaste”, “Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico”, “Tente mudar o amanhã”.


"Mas quem se importa? Mas quem se importa?- Eu me importo, eu me importo. PELA PAZ, PELA PAZ, PELA PAZ EM TODO MUNDO!".

Desde 2009 vinham comemorando os 30 anos da Banda com a turnê "30 Anos Sem Parar!" pelo Brasil.
Considerado um dos mais importantes nomes do punk rock nacional, Edson "Redson' Pozzi, vocalista e guitarrista da banda punk Cólera, morreu dia 28 de setembro, aos 49 anos. A informação foi divulgada na página oficial da banda no Facebook e no Orkut. Redson deixou ao cenário punk brasileiro um grande legado e certamente será lembrado como grande integrante do movimento no Brasil.
Essa é a homenagem que "O Som da Fábrica" faz a todos os integrantes da Banda Cólera, Redson (Guitarra e Vocais), Fabio Bossi (Baixo), Josué Correia (Baixo) e Helinho (Guitarra), Val (Baixo), todos os fãs e aos mais de 30 anos de muito Punk rock da Banda.



(Artemetria - Entrevista com Redson)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

(17/08) Oficina Cultural com Rodrigo do Dead Fish

Oi Galera!
O Som da Fábrica indica, para começarmos as pesquisas sobre Hardcore à todo vapor, que tal um bate-papo bem legal, cheio de trocas de infromação sobre o Hardcore e a cena independente?

Oficina Cultural com Rodrigo do Dead Fish
Hoje! às 19 Horas
Local: Cidadão do Mundo- Arte e Cultura
São Caetano do Sul- Rua Rio Grande do Sul, nº 73
Entrada FRANCA.




Hardcore à todo vapor!

Olá Leitores e futuros ouvintes do “Som da Fábrica”.

A máquina continua à todo vapor e agora irá produzir o programa 2!

E para quem quiser acompanhar essa pesquisa conosco novamente, postaremos aqui todo material de referênca coletado para montrar as pautas que agora serão sobre Hardcore.

E para quem percebeu, sim! O Som da fábrica está seguindo uma ordem bem lógica para seus programas. Seria o HARDCORE a segunda geração do PUNK?

Algumas pesquisas falam sobre essa posível associação, o HC nasce de uma transição, talvez uma segunda geração, que ao passar do tempo pode até talvez já ter dado início a outras.

Fiquem na sintonia, logo novas postagens para vocês!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Punk: as origens

Parte III - Brasil




O movimento punk veio para o Brasil em meados dos anos 80, onde o contexto histórico que o país se encontrava influenciava, e muito, o surgimento desse movimento.
O Brasil vivenciava o "Fim do ato inconstitucional número cinco" e a "Sanção da anistia" no final da década passada. Acabara também, de sair das históricas greves do ABC, momento no qual os trabalhadores pararam a indústria automobilística de São Paulo em plena ditadura militar. Nesse momento, digamos assim, o cenário nacional foi propício para a explosão do Punk Rock no país.

Os jovens inconformados com a situação social que viviam, caracterizada pela brutal repressão e já cansados das mesmisses nas rádios se identificaram  com o movimento  que não apenas trazia consigo uma imagem pesada, mas também uma música que estruturalmente podia ser tocada por qualquer um já que possuísse apenas 3 acordes e um ideal contra o sistema: recusa incondicional a qualquer forma de poder e autoridade sobre o outro; o fim do Estado com seu corpo autoritário e parasita (exército, polícia, parlamento, judiciário, executivo).

Logo surgem nas periferias de São Paulo no ano de 78 bandas precursoras, como o  AI-5, Condutores de Cadáver e Restos de nada.
Em 82 com o ressurgimento do movimento no mundo inteiro foi lançado o selo independente Punk Rock o primeiro disco do movimento punk no Brasil chamado "Grito Suburbano" com as bandas Olhos Seco, Cólera e Inocentes. E anos depois surgem novas bandas também no ABC Paulista, Brasília, entre outras capitais incluindo São Paulo, como Ratos de Porão, Fogo Cruzado, Cólera, Olho Seco, Lixomania, Garotos Podres, DZK e, muitas delas, ainda existem e continuam a tocar sua critica social em forma de densos acordes.

O movimento utilizou de meios midiáticos independentes, como foi o caso dos fanzines e do documentário "Garotos do Subúrbio" considerado um dos melhores trabalhos feitos sobre adolescentes no Brasil. E até mesmo chegou a ser citado nas grandes mídias, algumas com ideias equivocadas e outras que divulgaram esse grande movimento cultural, como no programa de rádio Kid Vinil - Rock Sanduíche, o Jornal Folha de São Paulo, Revista Veja, Revista Isto É, TV Cultura e TV Globo, que ajudaram na divulgação  entre as mais diversas camadas sociais.

Assim, o movimento punk foi fixando suas raízes na cena musical brasileira e conseguiu conscientizar uma serie de jovens para começarem a ver o mundo em que vivem com outros olhos e outros ouvidos.  
Um fato que marcou o movimento Punk no Brasil foi o Festival "O Começo do Fim do Mundo" que reuniu 20 bandas do ABC Paulista e São Paulo em um evento para tentar pacificar as intrigas existentes entre essas regiões.

Para contar toda essa história foi realizada anos depois com parceria da prefeitura de Santo André a primeira "Ópera Punk" que se teve notícia no planeta.
E não acaba por aí! O movimento Punk não morreu e deixou o seu legado independente do "Faça você mesmo" para as próximas gerações do Rock.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Jorge Anzol no Som da Fábrica

A produção do programa sobre Punk Rock chega ao final e o útlimo entrevistado foi Jorge Anzol baterista da banda acreana Los Porongas (http://www.myspace.com/losporongas), diretamente influenciado pelo movimento punk e pela banda do ABC Paulista "Garotos Podres" Anzol nos contou como isso aconteceu, relatou seu contato com a cultura Punk e nos mostrou que o Acre realmente existe!

Foto: Jorge Anzol durante a entrevista.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Daniel Miranda no Som da Fábrica

E a máquina lança mais uma entrevista inédita que ocorreu na última terça-feira (12/07) com Daniel Miranda, ex baterista dos Subviventes e baterista da banda 88 NÃO! (http://www.myspace.com/88nao) que já participou de importantes festivais independentes e é fundadora da COBAIN ABC (cooperativa de bandas independentes) onde realizam projetos comunitários na região do ABC Paulista. Daniel acompanha ativamente o Movimento Punk.

Foto: Daniel depois da entrevista.

Daniel relatou sua vivência no Movimento, como se encontra a cena atual e a influência da ideologia punk do "Faça você mesmo" na música atual.
Essa e outras entrevistas vocês ouvirão no primeiro programa do "Som da Fábrica", enquanto isso continuem acompanhando o processo de pesquisas e entrevistas!





Botinada: A Origem do Punk no Brasil


Botinada: A Origem do Punk no Brasil é um documentário que narra a história do início do movimento punk no Brasil, (1976 - 1984), e o paradeiro de seus protagonistas. O documentário foi produzido por Gastão Moreira e lançado pela ST2 em 2006. Foram quatro anos de pesquisa, 77 pessoas entrevistadas, milhares de horas nas ilhas de edição, 200 horas de vídeo e muitas imagens raras e inéditas compiladas pela primeira vez. O documentário teve como base os documentários Punks, Garoto do Subúrbio e Rota ABC, e conta com imagens raras, como a banda Cólera tocando ao vivo em 1980 na TV Tupi que nunca foi ao ar e o Inocentes tocando no Gallery em 1982, além de entrevistas com punks de todo Brasil, jornalistas, cineastas, bandas e simpatizantes do movimento punk. Disponível em 8 episódios no youtube, Confira:




2-8 / 3-8 / 4-8 / 5-8 / 6-8 / 7-8 / 8-8

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mao dos Garotos Podres no Som da Fábrica

A máquina está se modernizando e produzindo com muita agilidade! E infelizmente o blog não conseguiu acompanhar, então atualizarei vocês, queridos leitores, de todos os processos de nossa máquina.
No domingo passado (03/07) entrevistamos o Mao historiador e vocalista da banda Garotos Podres (http://www.myspace.com/garotospodresoficial), banda de grande importância para a cena punk do ABC, reconhecida nacionalmente e internacionalmente. Mao acompanhou toda a trajetória da banda e é um grande estudioso com muito a compartilhar!

Foto: Mao durante a entrevista.

Ele nos contextualizou muito bem historicamente os anos 80 e o Movimento Punk, relatando sua vivência na cena e os movimentos operários do ABC.


Foto: Carolina Timoteo, Mao e Olívia Ricci.

Essa entrevista e outras vocês vão conferir no primeiro programa do "O Som da Fábrica". Aguardem e continuem acompanhando o nosso processo de pesquisas e entrevistas!.

Fanzine: o porta-voz do punk

A palavra 'fanzine' é a junção entre as palavras inglesas "fan" (fã) e "magazine" (revista). É portanto a revista feita pelo fã e escrita para o fã, gerando troca de informações que movimentam uma cena underground recheada de novas bandas, ilustradores, jornalistas e escritores em busca de espaço e público.

O fanzine nasceu nos EUA nos anos 30 em período de depressão americana, com a ascenção do desemprego e lei seca o tempo ocioso foi dedicado a escrever fanzines, uma boa maneira de manter o estômago e a cabeça ocupados. E foi assim que surge o primeiro fanzine (fanmag) "The Comet" (o cometa) publicado pelo americano Ray Palmer que falava sobre cinema e literatura de ficção científica. Mas há controvérsias, pois a ascenção do fanzine se deu junto ao Movimento Punk na Inglaterra, com o zine "Sniffing´Glue" (cheirando cola) publicado pelo inglês Mark Perry, que escrevia sobre o Punk e as bandas punks do momento, se tornando assim o porta-voz do movimento.


Na edição número 5 do fanzine "Sniffing Glue" Mark Perry aconselha-va aos leitores: "Todos vocês, garotos que lêem o SG, não se satisfaçam com o que nós escrevemos. Saiam e comecem seus próprios fanzines, ou mandem suas críticas para a imprensa do Sistema, vamos pegá-los pelos nervos e inundar o mercado com a escrita punk!"
Surgiram então vários outros fanzines que ajudaram a divulgar o Movimento Punk dentro do seu ideal do "Faça você mesmo".




Fontes bibliográficas:
LIMA, Leo. "Fanzine - Rotulando o Inrotulável". Mood. 12/07/2011. <http://www.mood.com.br/3a01/zine.asp>.
BIVAR, Antonio. "O que é Punk". Coleção Primeiros Passos, 76. São Paulo: Editora brasiliense, 1992.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Renato - Aviso Final no Som da Fábrica

Depois de uns respingos de óleo nos parafusos a engrenagem voltou a funcionar!
A fábrica não pode parar e o entrevistado de hoje foi o professor Renato Donisete que produz o fanzine "Aviso Final" (http://www.fotolog.com.br/aviso_final). Com 20 anos de história o zine acompanhou de perto a cena de Rock independente do ABC e foi porta voz do Movimento Punk. Com certeza uma figura com muita história pra nos contar!

Renato durante a entrevista

Renato relatou sua vivência no movimento Punk Rock, a participação do fanzine aviso final dentro da cena independente e como têm sido a abertura de espaços culturais para as bandas dos movimentos integrantes da cena de Rock do ABC Paulista.



 Edição Especial de 20 anos do fanzine "Aviso Final"

Continuem acompanhando nossas postagens e aguardem o programa!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Punk: as origens

Parte II - EUA


O punk rock surgiu nos States em meados da década de 1970, mas é possível identificar algumas bandas precursoras do movimento, seja por um som parecido ou mesmo pela atitude assumida. Exemplos dessas bandas são os Stooges, cujas performances agressivas do vocalista Iggy Pop incluíam até cortes no próprio corpo com pedaços de vidro ao som de músicas relativamente simples (com poucos acordes, possível de ser facilmente tocada por alguém que não possua formação musical); o MC5 (Motor City Five), precursora do garage rock e uma das primeiras a fazer a junção entre a agressividade do rock com ideias políticas. Já nos anos de 1970 é possível identificar bandas que faziam praticamente punk rock, como o New York Dolls e os Dictators, a primeira tinha uma atitude completamente diferente dos padrões, principalmente pelo uso de roupas femininas, e por um rock bem próximo do punk, simples, cru e rápido; a segunda tinha o som próximo do punk rock. 

Com esse grupo de bandas começava a surgir o punk rock, mas este só se consolidou alguns anos depois, com a chegada dos Ramones. Estes tiveram uma ajudinha fundamental de outra importante banda, o Television. O Television, formado no final de 1973, foi a primeira banda a tocar no CBGB, clube que se tornaria o reduto do rock underground. O CBGB, que significa “Country Bluegrass Blues”, localizado na 315 da Bowery, na Bleecker Street, em Manhattan, Nova York, foi fundado em 1973 e não tinha o propósito de ser um clube de rock, como acabou sendo. 











Tudo começou quando os integrantes da então desconhecida banda de rock Television foram pedir ao dono Hilly Kristal para tocarem no clube. Como o clube não tinha nenhum evento aos domingos, Hilly permitiu que a banda tocasse nesse dia. Depois a banda pediu uma nova temporada de apresentações, agora ao lado de outra banda, os Ramones. Daí em diante, o clube começou a apresentar diversas banda, o que na época era muito incomum, a maioria dos clubes só permitiam apresentar-se bandas que tivessem contratos com gravadoras. 

Em 1976 os Ramones lançaram seu primeiro disco intitulado com o nome da banda, com 14 músicas e 29 minutos. O ritmo das músicas era alucinante para a época, e as músicas e as letras eram relativamente simples. O álbum, o primeiro de punk rock da história, não foi um grande sucesso, mas serviu para divulgar a banda para os jovens que continuariam fazendo punk rock. A turnê do álbum só teve boa recepção em Nova Iorque e em Londres. Em 1977 lançam os discos Leave Home e Rocket to Russia, fizeram turnês pelos Estados Unidos e pela Europa, tocaram o o ídolo Iggy Pop. Ainda contaram com um álbum ao vivo, It's Alive, gravado no fim do ano na Inglaterra. Esse foi o último registro do baterista Tommy, que detestava as longas turnês da banda. Apesar da boa qualidade dos discos que a banda tinha lançado, eles não tinham grande sucesso e precisavam fazer shows para se manter. O novo baterista seria o ex-baterista da banda Voidoids, Marc Bell, que se tornaria Marky Ramone. 






Com a nova formação, a banda lança o disco Road to Ruin. Mas os problemas não se resolveram, e em uma outra alternativa para alcançar o sucesso comercial contratam o produtor Phil Spector. O único membro da banda que se dava bem com o novo produtor era Joey (vocalista). Lançado em 1980, o disco teve uma melhor resposta comercial, mas desagradou os antigos fãs, causando um impasse entre manter o estilo inicial da banda ou fazer um som mais pop. A relação entre os membros da banda ficou mais tensa depois disso, mas o som continuou, e em 1981 lançaram o disco Pleasant Dreams, o primeiro disco em que não apareciam na capa. O disco também não foi sucesso de vendas, o que deixou os Ramones infelizes. O próximo disco teria que emplacar. Mas a banda enfrentava problemas com o baterista Marky, cujo problema com álcool ficara insustentável, a ponto de faltar em shows. Marky saiu da banda para internar-se numa clínica após a gravação do Subterranean Jungle, e em seu lugar assumiu Richard Reinhardt, o Richie Ramone. 




O próximo disco, já com a nova formação, chama-se TooTough to Die (“Muito Duro para Morrer), e foi uma espécie de homenagem para Johnny Ramone. O caso foi que o guitarrista metera-se numa briga e acordou no hospital, após uma cirurgia no cérebro, pois seu crânio rachara-se. Depois do baque, a banda ficou mais unida, menos preocupada em implacar um sucesso. Daí saiu o novo disco, com uma pegada diferente. Nesse disco tem a primeira música (e única) apenas instrumental, o Durango 95, feita em homenagem ao carro que Malcolm McDowell dirigia no longa Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Também conta com uma “saudação” ao hard core, com as músicas Wart Hog e Endless Vacation. O álbum seguinte, Animal Boy, lançado em 1986, contou com uma polêmica. Joey e Dee Dee juntam-se com Jean Beauvoir (ex-baterista dos Plasmatics) e compõem uma música de protesto (Bonzo Goes to Bitburg) contra a visita do presidente da época, Ronald Reagan, ao cemitério de guerra onde encontravam-se enterrados vários altos cargos da SS Nazista, em Bitburg, Alemanha. Porém Johnny Ramone não gostou do nome da música (pois era fã da política de Ronald Reagan). A música foi renomeada, ficando como título “My Brain Is Hanging Upside Down”. O disco ainda contava com a faixa Love Kills, uma homenagem a Sid Vicious. Halfway to Sanity, o próximo disco, foi auto-produzido, e saiu do jeito que a banda queria. Também foi o último álbum com o baterista Richie.




Para novo baterista foi chamado Clem Burke (baterista do Blondie e Chequered Past), que adotou o nome artístico Elvis Ramone. Depois de shows Elvis saiu da banda, pois seu estilo era muito diferente, e ele não se adaptou ao novo ritmo. Em seu lugar voltou o baterista Mark Ramone, sem problemas com álcool dessa vez, e fazendo a banda soar como no início. Com a nova formação, lançaram Brain Drain em 1989, que teve grande repercussão. Não era ouvido no rádio ou na MTV, mas mesmo assim influenciou várias bandas da época. Finalmente os Ramones pareciam ter o reconhecimento que mereciam e buscavam. Porém essa boa notícia veio seguida de outra ruim, a saída do baixista de Dee Dee. Com Dee Dee era 8 ou 80, e como ele não sentia que estava de cabeça no Ramones decidiu sair. Em seu lugar vinha o jovem de apenas 24 ano Christopher Joseph Ward, o C. Jay Ramone. O novo integrante trouxe também novos ares pra banda, era talentoso e tinha estilo próprio. 

A década de 90 começou bem para os Ramones. Joey conseguira largar as drogas, e tornara-se muito ativo, participando e apoiando várias causas, como AIDS, ecologia, entre muitas outras. Também receberam homenagens de outras bandas, como Motörhead, Bad Religion, L7 e Keith Morris. Em 1991 embarcaram em turnê internacional de grande sucesso. Em 1992 lançaram o novo álbum, Mondo Bizarro, que foi muito aguardado pelos fãs, pois seria o primeiro depois de três anos, desde a saída de Dee Dee. O novo disco foi um grande sucesso comercial, e rendeu muitos shows e dinheiro. A coisa começou a piorar novamente quando o vocalista Joey descobriu que tinha câncer. Com a doença, o vocalista fez muito menos shows, pois estava muito debilitado. Até que a banda decidiu que seria o fim dos Ramones, mas ainda iriam fazer um álbum de despedida. 

Assim foi lançado ¡Adios Amigos! em1995, o último disco da banda. Fizeram uma última turnê de despedida, o que durou um ano, antes de finalizar os trabalhos da banda. Durante a turnê, em Nova Iorque, foi gravado um disco ao vivo, Greatest Hits Live. O último show dos Ramones foi em 6 de Agosto de 1996, no Palace em Hollywood.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Barata do DZK no Som da Fábrica

Extra, Extra..
A máquina está à todo vapor!
Acabamos de fazer a nossa primeira entrevista do Programa "O Som da Fábrica".
O nosso primeiro entrevistado é o Barata, vocalista da banda DZK. A banda com 30 anos nas costas  acompanhou ativamente o movimento punk no ABC.

Na entrevista o Barata nos contou um pouco sobre sua vivência no movimento Punk Rock, inclusive sobre a marcante Ópera Punk.
Confiram algumas fotos da entrevista e aguardem o lançamento do programa!

Foto: Carolina Timoteo e Barata
Foto: Barata

Foto: Barata, Carolina Timoteo, Simone Nascimento e Natália Bom Pessoni.
 







Têm Punk Aê?!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Punk: as origens

Parte I - Inglaterra

O punk nasce no final dos 70, no fim dos “30 anos gloriosos”, na Inglaterra. O país encontrava-se em crise (que por solução, o Estado adota um projeto Neo-Conservador), e o movimento punk irrompe como um misto de grito de revolta, negação e oposição à sociedade capitalista. Baseando-se no Anarquismo, o punk é coerente, expressa sua base filosófica através da música, modo de vestir, pentear e, principalmente, na atitude perante o mundo. Representa a classe oprimida e marginalizada, dos subúrbios, e sua juventude movida pela revolta das desigualdades da sociedade capitalista.

Neste contexto, duas principais bandas surgem no cenário: Sex Pistols e The Clash. Os Sex Pistols iniciaram por incentivo do empresário Malcolm McLaren, que na época, 1975, era dono de uma badalada loja de Londres, a SEX, uma loja de roupas para a nova geração que baseava-se nos teddy boys (moda britânica do pós Segunda Guerra Mundial). A partir de uma proposta dele, a banda se reuniu. Steve Jones (guitarrista) e Paul Cook (baterista) viviam na SEX. Glen Matlock (baixista) era empregado da loja aos sábados. Só não tinham o vocalista, que foi encontrado no adolescente de dentes podres e assíduo frequentador da SEX chamado John Lydon, que apesar de nunca ter cantado em sua vida assumia uma postura e comportamento que a banda buscava. A banda foi batizada de Sex Pistols e John Lydon vira Johnny Rotten (Joãozinho Podre). 



Após o lançamento dos Pistols, o movimento alastrou-se, principalmente em Londres, expressão de uma juventude fatigada da mesmice dos rockstars da época. Logo os Pistols teriam com quem dividir as luzes do palco, o The Clash, que começou como banda de abertura dos shows dos Pistols, logo lança álbum e faz seus próprios shows. O primeiro disco dos Pistols, “Anarchy in the U.K.”, lançado em 1976, ficou famoso apenas no “gueto”, mas pouco depois a televisão encarregaria-se de mostrá-los ao mundo. Foi Johnny Rotten que usou pela primeira vez a expressão “Fuck Off” diante das câmeras, o que causou grande repercussão e muita notícia, divulgando a banda. 



Mas foi 1977 o ano do punk. Devido a brigas entre Rotten e Matlock, o baixista saiu da banda, e entraria aquele que seria um dos maiores símbolos do punk rock, Sid Vicious. Neste mesmo ano, é lançado o compacto “God Save the Queen”, que leva uma das máximas do movimento punk “não há futuro na Inglaterra”. A música enfrenta críticas e inclusive um veto da BBC. E, claro, tudo isso fez com que os Pistols fossem muito noticiados e popularizados. Todos aguardavam o álbum da nova formação da banda, e quando o “Never Mind The Bollocks, Here´s The Sex Pistols (“Abaixo os idiotas, aqui estão os Sex Pistols”) finalmente foi lançado, a Inglaterra ficou pequena para o punk rock.



Após uma turnê de pouco sucesso pelos EUA, os Pistols chegam ao fim. Enquanto Vicious estava internado no hospital recuperando-se de mais uma overdose, Jones e Cook revelam a Rotten que querem acabar com a banda. Vicious começa uma carreira solo, mas acaba na prisão acusado de ter esfaqueada a namorada Nancy Spungen, fato que nunca foi esclarecido. Vinte e quatro horas após sair da prisão, com a fiança paga pela gravadora, Sid Vicious morre de overdose de heroína aos 21 anos de idade.

Eu não preciso de um Rolls-Royce, eu não preciso de uma casa no campo, eu não tenho que morar na França. Eu não tenho heróis do rock. Eles são desnecessários. Os Stones e o The Who não significam nada para mim; eles estão estabilizados. Os Stones são mais um negócio do que uma banda.” Johnny Rotten (Dezembro de 1976)

A música precisa dar assistência a todo esse lixo (a sociedade britânica). A música tem que mostrar saídas para se vencer a estagnação. Ela tem que ser verdadeira mas também bem-humorada. E isso não é política.” Johhny Rotten (explicando a revolta da sua banda com o veto da BBC)

O The Clash surge com a junção do vocalista e guitarrista Joe Strummer, que acabara de sair do 101'ers após tocar no mesmo festival em que tocaram os Sex Pistols, ao London SS de Mick Jones (guitarra), Terry Chimes (bateria) e Paul Simonon (baixo). Começaram tocando como banda de abertura do Sex Pistols e logo fizeram sucesso. Em 1977 lançam seu primeiro disco, que leva o nome do grupo. Apesar de críticas de que estavam vinculados a uma grande empresa e de serem da classe burguesa, fazem grande sucesso.




 No ano seguinte o baterista Terry Chimes deixa a banda e Headon entra em seu lugar, e o segundo disco da banda, “Give'Em Enough Rope” é lançado. Como no disco anterior, o lançamento é um grande sucesso, mas acaba não chegando no mercado americano. Para resolver isso, a banda faz uma turnê pelos EUA. Mas o sucesso nos States se consolidou em 1979, com o duplo “London Calling”, que apresentava elementos de Reggae, Ska, Rock e Blues, caindo nas graças do público americano. 







Fruto desse novo sucesso, a banda faz nova excursão pelo país e decide gravar o próximo álbum, “Sandinista!” em Nova Iorque, o que ocorre em 1980. A banda troca de público, já que os britânicos passam a dar as costas para a banda, e passam a gravar e tocar apenas nos EUA. O baterista original, Terry Chimes, retorna e lançam “Combat Rock”, que apesar de conter o hit “Should I Stay Or Should I Go”, não agrada e a turnê de lançamento é um fiasco. Terry Chimes e Mick Jones, decepcionados, abandonam a banda e são substituídos por Pete Howard (bateria), Vince White (guitarra) e Nick Sheppard (guitarra). Na nova formação lançaram o disco “Cut The Crap”, em 1985, outro fiasco. Strummer decide por fim a banda e segue carreira solo. Mick Jones iniciou a Big Audio Dynamite (funk-dance), Paul Simonon iniciou o Havana 3am. Strummer morre de parada cardíaca em dezembro de 2002, aos 50 anos. 



domingo, 15 de maio de 2011

"Se o punk é o lixo, a miséria e a violência,
então não precisamos importá-lo da Europa,
pois já somos a vanguarda do punk
em todo mundo".
(Chico Buarque)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Que é Punk - Antonio Bivar

  No livro "O Que é Punk"  da coleção "Primeiros Passos", o autor Antonio Bivar contextualiza historicamente toda a passagem do movimento punk, desde sua pré-história até sua explosão fazendo referência a vários movimentos influentes. Relata descritivamente a chegada do movimento punk ao brasil, levantando histórias das primeiras bandas punk nacionais e internacionais. É uma ótima leitura para quem está começando a estudar o Movimento Punk como nós, vale a pena conferir!




"Punk, antes de ser música, é uma atitude. É um modo de dizer: NÓS NÃO NOS IMPORTAMOS. Punk é kamikaze. Sid Vicious foi kamikaze. Foi em seu tempo, a encarnação do punk. Foi o próprio". - Antonio Bivar.


  Sobre o autor: Antonio Bivar nasceu e vive em São Paulo é dramaturgo, escritor, ensaísta, memorialista. Seu primeiro livro foi a obra “O que é Punk” (coleção Primeiros Passos, editora Brasiliense).

domingo, 1 de maio de 2011

Está no ar "O Som da Fábrica - Rock"

Depois de darmos sete pulinhos nas ondas do mar, comer lentilhas e achar a moeda dourada do bolo, vamos então começar com  pé direito. Pois, aqui está à primeira postagem do Blog "O Som Da Fábrica".
E para começar, vamos deixá-los a par de tudo que vêm acontecendo nos ultimos tempos, as reuiões, pautas, andamentos. 
A equipe vêm se reunindo. Nossa primeira pauta vai ser sobre o "Punk Rock", estamos buscando através de pesquisas,  filmes, livros, bandas, entre outras fontes, aprofundar cada vez mais nosso conhecimetos sobre o tema.
E para quem quiser acompanhar essa pesquisa conosco, postaremos aqui todo  material de referênca coletado para montrar as pautas.
Fiquem na sintonia, logo mais novas postagens para vocês!



(Na foto: Natalia Bom (@Nattybp) ; Simone Nascimento (@MoneNascimento) ; Vinicius Mlinari; Carolina Timoteo (@Cacods)